El Cuenco de Baubo

Espacio del ÚTERO, la casa de todos.

Brasil

Outono em Porto Alegre

O ENCONTRO DO OUTONO NO FEMININO iniciou com uma preparação especial, desde a escolha dos tecidos de forma aleatória, que iriam ser usados na decoração, eleição das cores feita por uma companheira do grupo, até a escolha das folhas que já caíram nesta estação fazendo um tapete para a entrada macia da mesma.

5 mulheres participaram, uma nova entrou no grupo. O tema escolhido foi em função da experiência da menopausa que parecia combinar bem com o clima outonal: uma estação de profundas mudanças, aparentes perdas, mas que traz uma nova energia, uma nova beleza. Vide as folhas que caem para que o sol atravesse os galhos das árvores que além da sombra, o refletem já que estão desnudas.

A primeira parte foi uma troca de experiências da vivência da menopausa. 3 mulheres do grupo já a vivenciam, portanto foi enriquecedor ver que, mesmo que para muitas essa fase signifique sofrimento, para elas é algo que tem tudo a ver com a natureza feminina e a experenciam de forma saudável. Uma das companheiras que sente mais alterações significativas que está se adaptando, mas acredita que tem a ver com a aposentadoria que chegou junto, embora já esteja na menopausa há 8 anos.

 A decoração, além dos tecidos coloridos, das velas, das cores usadas, das flores e das folhas usadas, trazia tapetes e almofadas para dar um toque de experiência oriental. Solo, chão, para entrar em um clima de tenda de acolhimento. Motivo da escolha – vida, cores, flores, aroma, vivacidade, alegria, desabrochar.

 Na segunda parte sugeri que todas deitassem e relaxassem, fechando os olhos para escutar o som que seria tocado. Coloquei 3 movimentos das 4 ESTAÇÕES DE VIVALDI – obra composta no século XVIII, descoberta no século XX, mas que traz elementos que nos permitem sentir cada toque sazonal das estações. Antes disso perguntei a estação do ano preferida: quase unânime- PRIMAVERA.

Abri os trabalhos com a Primavera – obra extremamente conhecida, mas pouco ‘escutada’ no sentido de entender que cada instrumento ilustra’ pássaros cantando, o sol brilhando…..

Citei Vivaldi –

‘A Primavera, estação das flores, uma alegre melodia interpretada pelos violinos mostra o despertar, o renascer da Natureza. Há uma ascensão progressiva da luminosidade para descrever o nascimento de uma natureza transbordante de vida, daí que o ambiente estejainundado por luz e cor. É o início da vida. ‘

‘ Verão – A TEMPESTADE – As coisas aqui começam serenas, mas não doces. O sol a pino”derruba” tanto o homem como a natureza. E após o anúncio do rouxinol, chega a tempestade. Opastor teme a tempestade. É quase uma destruição. ‘

OUTONO

Neste movimento, Vivaldi descreve uma festa rural. Ele explica: “Os camponeses festejam com canções e danças sua alegria por causa de uma boa colheita”. Ele demonstra a embriaguez e a tontura dos camponeses com escaladas que sobem e descem no violino. Enquanto o andamento diminui Vivaldi descreve os camponeses dormindo para curar a bebedeira. A peça (segundo movimento) é reflexiva emeditativa comparada com o apaixonado primeiro movimento. Vivaldi descreve o segundo movimento: ”As canções e danças cessaram. Oar suave e agradável da estação convida a todos para a delicia de um doce sono”. ‘

Nesse momento a música suave do clima outonal de Vivaldi incentivou uma introspecção e incrivelmente, para ajudar, das janelas o sol estava se pondo e iluminando as companheiras que estavam relaxadas. Quase se sentia o cheiro da estação. A natureza que o Outono traz é belíssima, mesmo introspectiva, ela se muta para se adaptar. As folhas caem, mas a árvore se mantém esbelta e pura de energia. Desnuda para receber o sol e guardar as forças para a próxima estação. Não existe o feio, existem formas que saem do padrão e surpreendem, especialmente pelas cores. O outono exige aos poucos o recolhimento para agradecer a primavera e o verão. Os frutos foram colhidos. É o momento de viver intensamente a  nova fase, mesmo que com um ritmo diferente. A experiência vivida se faz presente.  O céu mudou, o sol também e o ser se adequa a nova fase. Com sabedoria e entrega o inverno virá, mas jamais com tristeza, porque a beleza da adaptação está presente.

Após esse estado meditativo conversamos para falar sobre a intervenção musical e passamos para o acender das velas. Muitas em toda o espaço foram acesas. A representação do fogo é para lembrar que, independente da estação, o SOL, a CHISPA, está presente. É outono aqui, mas em outro lugar é Primavera. Tudo cambia, mas a luz que somos deve se manter acesa. DANÇAMOS. A dança flue com o ritmo árabe da Loreena Mckennit, protegemos as nossas chamas, purificamos, com o calor que ela emana quando passamos a palma da nossa mão sobre o fogo, todos os nossos sentidos. Sabemos que em algum momento ela pode se apagar, mas evitamos porque estamos atentas. Dançamos, fluimos e a deixamos brilhar, entretanto, se a chama se apagar em algum momento, sabemos que podemos confiar em alguma confabuladora do grupo, que ajudará acender a chama novamente com a sua própria luz. Essa é a ideia da confabulação feminina. Unir se em prol da vida. Dar luz. Sem competição, mas como aliadas.

Aos poucos o ritmo árabe se acalmou, então, nos ajoelhamos e colocamos as 5 velas dentro do círculo. Oramos. O céu ainda refletia os últimos vestígios do sol. As chamas das velas refletiam em nossas faces. Nos demos as mãos. Inspiradas cada uma falou. As orações tocaram cada uma de nós, porque oramos pela mulher e pela humanidade. Magia foi o que sentimos. A energia do ambiente nos comoveu foi forte, as velas em todos os cantos tremulavam e nos trouxeram uma atmosfera divina, sabíamos que éramos una em prol de cada uma.

Culminamos com um bate papo perto da mesa das comemorações e depois fazendo fotos e nos permitindo fazer poses, sem julgamentos, uma arrumando a outra que sairia na foto, revelando e enxergando a beleza na outra.

O que permitiram essas fotos: que nos soltássemos; que perdêssemos a vergonha de se expôr para mostrar a beleza que poderíamos extrair de cada pose; a cumplicidade em ‘ajeitar’ cada uma para fazer bonito na foto assim saíamos do óbvio e a cena criada era por alguma colega; a confiança no olhar da companheira; foi unânime: foi um momento único e que queremos repetir!

A flor de outono e o fogo que se mantém para nos inspirar…..

A bebida da noite foi um ‘chai’ que nos aqueceu e nos fez combinar um breve encontro.

Outono, é isso aí, chegamos com tudo!

Amando!

Loren

Un pensamiento en “Brasil

  1. Gracias a las féminas de Porto Alegre y a su coordinadora, Loren, que tanto potencial tiene en esa búsqueda de la identidad femenina. Gracias por la belleza, el juego, la gracia, la estética y la sensualidad de ese otoño, tan bien representado en esas imágenes y en estos textos.

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